Relatório da PF sobre origem do dinheiro do mensalão revela que recursos do BB foram uma das principais fontes do esquema

O jornal Folha de São Paulo divulgou nesse fim de semana o relatório final da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro do mensalão, que revela que recursos repassados pelo Banco do Brasil foram uma das principais fontes do esquema montado para compra de apoio político no Congresso no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a publicação, o relatório afirma que o desvio de recursos do Banco do Brasil para o esquema “somente seria possível com a participação ativa de membros da instituição financeira”.

 

Segundo a polícia, entre 2001 e 2005, o BB retirou R$ 151,9 milhões de sua cota no Fundo Visanet, criado por vários bancos para promover a bandeira de cartões Visa.


Desse total, R$ 91,9 milhões foram repassados à DNA Propaganda, uma das agências de publicidade do empresário Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do mensalão.


A polícia concluiu que parte do dinheiro jamais chegou aos destinatários finais indicados nos documentos apresentados pela agência e foi desviada por Valério, seus sócios e funcionários.


Outra parte foi destinada a negócios fictícios ou empresas que não comprovaram a realização dos serviços para os quais foram contratadas.

O fundo Visanet, criado em 2001 e extinto em novembro de 2005, foi formado por 26 bancos, mas os gastos realizados pela DNA e examinados pela PF estavam sob responsabilidade do BB.


O então diretor de marketing do BB, Henrique Pizzolato, filiado ao PT, havia trabalhado na campanha que elegeu o presidente Lula em 2002. Segundo a PF, ele tinha total autonomia para escolher os beneficiários dos recursos que administrava.


Segundo a polícia, os valores desviados dos contratos com o BB eram usados por Valério para abater parcelas de dois empréstimos que ele tomou nos bancos Rural e BMG para repassar ao PT.

 

No relatório em que mostra a origem do dinheiro do mensalão, a Polícia Federal pede à Procuradoria-Geral da República a abertura de 11 inquéritos para investigar o destino de R$ 6,3 milhões repassados pelas empresas do acusado de ser operador do esquema.


A PF também sugere ampliar outras oito investigações já em curso, além de solicitar ao Ministério Público dezenas de diligências em busca de identificar novos destinatários dos recursos.


O relatório da PF aponta indícios de participação no esquema de, pelo menos, mais 17 pessoas além das 38 que já respondem a ação penal que tramita no STF.

Para ler a íntegra do relatório da PF – disponibilizado pelo site da Folha – clique aqui.

Fonte: Folha de São Paulo