Enquanto Prefeitura gasta com publicidade, população sofre com falta de médicos em UBSs de Marília

Enquanto Prefeitura gasta com publicidade, população sofre com falta de médicos em UBSs de Marília

A população mais carente de Marília sofre com a falta de médicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O alerta foi dado pelo site Marília Notícia, em reportagem do jornalista Leonardo Moreno.

Na teoria, os moradores dos bairros deveriam contar com clínico geral, pediatra e ginecologista. Mas não é o que acontece em boa parte das 12 unidades espalhadas pela cidade. Faltam também enfermeiros e outros profissionais, segundo a reportagem publicada nesta terça-feira, 16.

As unidades são geridas pela Secretaria de Saúde do Município e os médicos são contratados para jornadas de três horas por dia, 15 horas por semana, mas com a falta de funcionários, os que estão na ativa precisam atuar em várias unidades.

Castelo Branco, Costa e Silva, Bandeirantes e Juscelino Kubitschek são alguns dos bairros em que faltam profissionais nas unidades, de acordo com apuração feita pela reportagem do Marília Notícia.

“Precisei marcar consulta para minha mulher e meu filho, com ginecologista e pediatra, na UBS perto de casa, e me disseram que não tem médico”, afirma um morador da zona Norte ouvido pela equipe do MN.

Quanto aos médicos da família no Sistema Único de Saúde (SUS), também estão sendo reduzidos nos últimos anos.

Em 2016 chegaram a ser 53. Em agosto deste ano eram 15% menos, ou seja, 45. Os números são do Departamento de Informática do Sistema Única de Saúde (DataSUS). Os cortes começaram ainda no final do governo Vinícius Camarinha e continuaram com Daniel Alonso.

A informação é de que são 122 médicos cadastrados em Centros de Saúde e Unidades Básicas de Saúde. Aqui estão englobadas as 12 UBSs e os 37 postos da Estratégia da Saúde da Família (PSF), sob responsabilidade da Maternidade Gota de Leite.

No caso da ESF, é previsto apenas um clínico geral por unidade, sem a presença dos especialistas.

Na tentativa de resolver o problema da falta de pessoal na saúde básica, médicos da ESF foram alocados em UBSs, mas o problema persiste. “Está meio bagunçada a coisa e a demanda é muito grande”, disse um médico ouvido pela reportagem, que prefere não se identificar.

O tamanho da rede municipal pode ser um dos desafios para resolver a questão. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) de 2017 mostram que entre USFs e UBSs, Marília (49) possui mais unidades do que cidades maiores, como Bauru (24), São José do Rio Preto (25) e até Ribeirão Preto (44).

Outro lado

A Secretaria Municipal da Saúde de Marília informou que, “entre as alternativas para ampliação de médicos na rede de atenção básica, o município pretende realizar Chamamento Público também para atuação nas especialidades”.

Gastos com publicidade

O problema é que enquanto o povo sofre com a falta de serviços básicos, a Prefeitura já gastou só este ano quase um milhão e meio de reais (R$ 1.476.693,07) em propaganda, conforme dados do Portal da Transparência.

Dentre os “investimentos” feitos no setor, está a confecção de um jornalzinho tipo tabloide com as realizações da atual gestão (foto acima). A medida foi questionada também pelo Jornal Cidade, que em publicação desta semana apontou: “Vai gastar quase R$ 150 mil entre impressão e distribuição… Além do gasto absurdo, que daria para adquirir uma ambulância para a sucateada frota da saúde, a distribuição dos jornais vai sujar calçadas, garagens e jardins das residências”.

A Matra divulga as informações em defesa da transparência e da boa aplicação dos recursos públicos.

*com informações do Marília Notícia e Jornal Cidade.