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DENGUE: Vereadores constatam repasse da nebulização milionária

02 de março de 2015 - 10:44

Denúncia-DOCS-COMPARACAO-AGROATTA

Alguém do “setor de compras” da Prefeitura de Marília telefonou para a empresa Agroatta Desinsetizadora em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e acertou a contratação de um serviço no valor de R$ 1.257.000,00. Posteriormente, o tal “acerto” deu origem à contratação efetiva, com dispensa de licitação pelo caráter emergencial e a especialização da empresa no combate ao mosquito da dengue, ato que levou a assinatura do secretário da Saúde Luiz Takano e foi publicado no Diário Oficial do Município, no dia 13. Segundo o vereador Cícero do Ceasa (PT), “o dono da Agroatta, sr. Francisco, estava em Marília na última sexta-feira (27) e comentou como é que a empresa dele foi contratada”.

Só tem um detalhe: ele “não lembrava o nome” da pessoa que fez o telefonema e intermediou a negociação milionária. Acompanhado do vereador Delegado Wilson Damasceno (PSDB), Cícero visitou a empresa Biomaster de Marília, a poucas quadras da Prefeitura, na Rua Rio Grande do Sul, Centro. Eles foram atrás de informações sobre a polêmica contratação da Agroatta para fazer nebulizações e, principalmente, se o serviço havia sido terceirizado para a empresa mariliense.

“O dono da Biomaster, sr. Eduardo, nos disse que foi contratado como funcionário da Agroatta para fazer o serviço, porque conhece bem a cidade. Então eles contrataram os trabalhadores e os equipamentos”, explicou Cícero. Questionado se teve acesso aos contratos, o vereador informou que “eles estavam esperando a assinatura da Prefeitura e ficaram de nos fornecer cópias, depois”.

COMISSÃO – Cícero integra a comissão especial formada na Câmara para avaliar as ações de combate à grave epidemia de dengue que se abateu sobre Marília neste ano, com milhares de vítimas e mais de uma dezena de mortes até o momento. Os vereadores Capacete (PDT) e Marcos Custódio (PSC) completam a comissão. “Nós vamos voltar a pedir as cópias desses contratos, porque essa história da Prefeitura contratar uma empresa do Mato Grosso do Sul por um valor milionário e o serviço ser feito por gente daqui de Marília mesmo, precisa ser esclarecida” – disse Cícero.

“Mas não é só isso que queremos saber. Vamos ver porque não foi feita a prevenção da dengue no tempo certo, avaliar os registros da doença, as mortes, tudo o que estiver ao nosso alcance”.

CONFUSÃO – A “Ratificação” de dispensa de licitação para contratar empresa de nebulização publicada no DOMM foi em nome da Agroatta Desinsetizadora LTDA – EPP de Três Lagoas-MS. Tão logo surgiu a polêmica sobre o valor e uma possível sublocação do serviço para empresa de Marília, a Prefeitura apressou-se em dizer que a Agroatta tem sede e toda estrutura em Jales-SP, visto que a sul mato-grossense não tem sequer quem atenda às palmas no portão, sempre trancado. Porém, o CNPJ da Agroatta de Jales difere do CNPJ da Agroatta contratada pela Prefeitura, indicando que são empresas distintas.

A pergunta mais intrigante nessa história é a seguinte: o que teria motivado a Prefeitura de Marília a buscar uma empresa a mais de 300 quilômetros de distância, em outro Estado, por um valor milionário, se o serviço está sendo repassado para gente da própria cidade, a poucas quadras do Paço Municipal? Até o momento não houve resposta plausível, apenas reação. Em uma delas, foram informadas cidades atendidas pela Agroatta, entre elas Três Lagoas. Mas isso também não procede.

LIÇÃO – Secretária da Saúde de Três Lagoas, Eliane Brilhante festeja o fato de não contratar nenhuma empresa para nebulização contra a dengue. Esse tipo de serviço não é feito por lá. Nem mutirões de limpeza são necessários, tamanha a eficiência da prevenção. “Há três anos não temos óbitos por dengue e este ano o número de casos positivos da doença está em 120 (Três Lagoas tem 130 mil habitantes), portanto absolutamente sob controle” – informou Brilhante.

As ações preventivas incluem orientações à população, TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) firmados pelo Ministério Público com imobiliárias e outros setores e uma arma muito simples. “Trata-se de armadilhas fornecidas pelo Ministério da Saúde, que são potes plásticos com água que são colocados em locais estratégicos para atrair os mosquitos. A gente faz a coleta e se for mosquito da dengue, inicia as ações de combate. Isto é 100% eficaz, eliminou a necessidade de mutirões e de nebulizações” – afirma Brilhante. “Relatamos essas ações ao Ministério da Saúde e conseguimos mais verbas para dar continuidade a elas. Com isso, a economia para o município é de quase 100%”.

Fonte: Jornal da Manhã

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