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Licitação para transporte do lixo de Marília termina amanhã; serviço deverá custar R$ 700 mil por mê

21 de março de 2011 - 15:00

Amanhã, às 15h10, serão abertos os envelopes da licitação que decidirá quem será a empresa responsável por fazer o transporte do lixo produzido em Marília para outra cidade, serviço que deve custar, em média, R$ 700 mil por mês aos cofres públicos municipais.

Com isso acabam-se as esperanças de se ver cumprir a promessa feita pelo secretário da Fazenda e Chefe de Gabinete do município, Nelson Granciéri, em Audiência Pública realizada na CIESP, de enviar à Câmara Municipal um projeto de lei que permitiria a Prefeitura contratar uma empresa para implantar, de graça, uma usina de reciclagem em Marília.

O trágico fim da novela da destinação do lixo em Marília mostra, mais uma vez, o descaso da Administração Municipal com a população da cidade, que agora pagará a conta pela falta de vontade política dos nossos governantes.

Hoje, a revista Carta Capital publicou em seu site um artigo (reproduzido na íntegra abaixo) que deixa claro quanto o Brasil perde por não cuidar do lixo produzido no país.

R$ 8 bilhões: o custo dos nossos resíduos

O número citado no título deste artigo, infelizmente, não é uma peça de ficção. É quanto os técnicos do Ministério do Meio Ambiente estimam que o Brasil gasta, todo ano, por não reciclar os resíduos que despeja diariamente nos seus “lixões” e aterros sanitários.
Para entender a origem deste número assombroso, basta citar como exemplo a indústria de informática – um conhecido vilão do meio ambiente pela quantidade de metais pesados e plásticos que despeja nos cemitérios do consumo, todos os dias.

O Comitê para a Democratização da Informática calcula que, dos dez milhões de computadores produzidos anualmente no Brasil, menos de 1% são destinados corretamente. Isto significa que, em 365 dias, uma avalanche de um milhão de computadores são descartados diretamente nos “lixões” e aterros sanitários do nosso País.

É claro que as indústrias de informática não são as únicas culpadas pelo problema. A responsabilidade por estas montanhas de resíduos se assenta sobre um tripé formado pelo Estado (União, Estados e Municípios), setor privado (especialmente os fabricantes) e a própria sociedade.

Não se diga que não temos marcos legais sobre o tema. O Artigo 33 da Lei 12.305, por exemplo, estabelece a obrigatoriedade de que seis grupos de produtos sejam objeto da chamada “lógica reversa”: agrotóxicos, pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes; lâmpadas fluorescentes (de vapor de sódio, de mercúrio e de luz mista); e os já citados produtos eletroeletrônicos.

Na prática, porém, a lei não passa de um pote de ouro sob o arco-íris, como comprovam as estatísticas do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), Ministério das Cidades e Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade).

Somos referência mundial apenas na reciclagem do alumínio: 92% do que produzimos. No grosso dos resíduos, porém, ainda somos uma vergonha mundial. Nossa coleta seletiva atinge menos de 3% da população. Compreensível, já que esta prática é adotada por apenas 405 dos nossos 5,5 mil municípios e que 64% deles ainda são usuários dos nauseabundos “lixões”.

Preocupado com o problema, o IBDS (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável) vai promover dois eventos importantes em Curitiba, entre os dias 5 e 7 de outubro, para debater esta celeuma com todos os segmentos afins: o Fórum Brasileiro de Resíduos Sólidos e, paralelamente, a Feira Internacional de Resíduos Sólidos.

Quer achar um jeito de acelerar as políticas públicas para a área. Não sem motivos. A Lei 7.404/2010 estabelece metas bem rigorosas – e rápidas – em relação ao tema. Entre elas, a polêmica eliminação dos lixões até 2 de agosto de 2014 e a exigência de que as cidades com mais de 200 mil habitantes tenham, até 2 de agosto de 2012, planos de gestão de resíduos.

Não somos apenas o País do futebol e do Carnaval. Somos também o país do desperdício, nas questões ligadas ao meio ambiente. Felizmente, porém, há quem esteja preocupado em nos conduzir na direção contrária à dos vilões do meio ambiente, que insistem em tratar como lixo o que merece ser tratado apenas como o primeiro estágio da nossa cadeia produtiva.

Fonte: Carta Capital

Autor: Aurélio Munhoz é jornalista, sociólogo, consultor em Comunicação e presidente da oscip Pense Bicho

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