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Observatório Social de Marília: O Vilão do Drama

09 de agosto de 2011 - 08:35

Tínhamos uma novela: “O lixo em Marília”. Desta novela saiu um vilão chamado “Sacolinha Plástica”. No dia 27 de Junho, disposto a acabar com parte deste drama, a Câmara Municipal de Marília aprovou o Projeto de Lei 160/2010 do Vereador Eduardo Nascimento.

O Projeto trata-se da substituição do uso de sacolas plásticas utilizadas em estabelecimentos empresariais para acondicionamento de mercadorias por sacolas retornáveis ou plásticas oxi-biodegradáveis (OBD), ou similar, que não sejam prejudiciais ao meio ambiente.

Mas há alguma contradição nisto tudo. O Governador José Serra vetou o Projeto de Lei 534/07 na Assembléia Legislativa semelhante ao que foi aprovado pela Câmara Municipal de Marília. E o secretário Estadual do Meio Ambiente lançou uma polêmica dizendo que o Projeto trata-se de um ‘engodo plastificado e uma marotice política’, (Folha de São Paulo no dia 27 de Julho).

Qual o fundamento real dessa oposição, tanto pelo Governador quanto pelo secretário Estadual do Meio Ambiente?

Estabelecemos estudos para explicar a diferença entre o plástico convencional e o plástico OBD, procuramos entender a constituição de ambos e os danos que estes podem apresentar para o ambiente.

No site da ONG “sacsplast.libertar”, encontramos informações fundamentais para o amadurecimento desta discussão. Eles relatam indícios de que “os sacos plásticos seriam hoje responsáveis por 18% do lixo paulistano, segundo o secretário do Meio Ambiente (e menos de 1% desse lixo é reciclado em usinas).”.

Outro site que fez parte do nosso estudo é o da ONG Funverde, lá eles apresentam discussões importantes e retiramos parte deste assunto para aprimorar melhor o debate. Veja o que eles têm a dizer sobre a constituição do plástico OBD.

“Para transformar o plástico convencional em um plástico menos agressivo ao meio ambiente, é adicionado 1% de um aditivo que é chamado D2W. Ele que faz com que a cadeia molecular do plástico, que é enorme, comece a oxidar e finalmente, quando se torna pequeno, os microorganismos entram em ação, começando a biodegradação.

Exatamente o que vai acontecer com os plásticos convencionais em 500 anos ou mais, só que, neste caso, em período de tempo muito menor – aproximadamente 18 meses -. O plástico oxi-biodegradável pode ser reciclado junto com o plástico convencional.”.

O processo acontece da seguinte forma: O lixo é coletado e jogado em um lixão a céu aberto, o plástico oxi-biodegradável irá se decompor rapidamente, os conteúdos deste saco serão decompostos também, evitando ficar anos dentro de um saco de lixo convencional que não irá se degradar em um curto espaço de tempo (o plástico convencional pode demorar até 500 anos para se decompor).

O ponto negativo é que o plástico OBD contamina o meio ambiente em razão dos catalisadores empregados, com derivados de metais pesados como níquel, cobalto e manganês, partículas produzidas no processo de decomposição. Quando atacadas pela ação de microorganismos, estas partículas irão liberar, além de gases do efeito estufa, como CO2 e metano, metais pesados e outros compostos inexistentes no plástico comum. Pigmentos de tintas, utilizados nos rótulos, também se misturarão ao solo.

O Plástico utilizado hoje é feito por cadeias moleculares  inquebráveis, o primeiro plástico foi inventado pelo Alexander Parkes em 1862. Há quem diga que estes plásticos levam dezenas e até centenas de anos para se decompor na natureza, por isso é impossível definir com precisão quanto tempo eles levam para desaparecer no meio natural. No caso específico das sacolas de supermercado, a matéria-prima é o plástico-filme,  produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). A parte boa do processo é que há reutilização de resíduos de petróleo para a fabricação destas sacolinhas, caso esses resíduos não fossem utilizados para isso eles teriam que ser queimados.

O problema é que as sacolas usadas atualmente infiltram-se no solo e contaminam lençóis freáticos. Os sacos plásticos convencionais tomam muito espaço no aterro sanitário porque eles não se decompõem rapidamente, retêm ar e inibem a decomposição de seu conteúdo. Veja abaixo a imagem auto-demonstrativa retirada do site do Funverde.

O plástico oxi-biodegradável é foto-oxidado, fragmentado e biodegradado em CO2 e água, na superfície aeróbica das camadas superficiais do aterro sanitário; mas inertes nas camadas profundas na ausência de oxigênio.

A dica dada é que se utilize pigmento natural para o estampamento das sacolinhas oxi-biodegradaveis.

Mas pensando além, a população precisa se desvincular do mal já chamado de “sacolamania”. A ONG Funverde comenta: “Estamos tão acostumados com ele, que parece que sempre convivemos com os plásticos, mas faz pouco mais de 50 anos que ele apareceu em nossas vidas, para ficar. Hoje nossos rios, lagos, fundo de vales, nossos mares, estão tão poluídos com o plástico, que talvez esteja na hora de repensar o custo x benefício desta praticidade”.

Para o Município de Marília, precisamos de fato das sacolas OBD, porém nada vai mudar com a situação atual do aterro sanitário. As sacolas oxi-biodegradáveis vão se decompor bem mais rápido como constatamos, porém elas precisam de um determinado tempo antes que seja depositada outra camada de lixo no aterro. As sacolas OBD, que pelo nome já diz, “OXI”, precisam de oxigênio para sua decomposição. Portanto, o Projeto é legitimo apenas com o melhoramento da situação do nosso aterro. Nota-se que as autoridades marilienses ainda estão com dificuldade de reconhecer a importância em atribuir profissionais para prosperar e terminar esse enredo com um final feliz. Afinal como o ditado já diz “tem que cortar o mal pela raiz”, aqui em Marília já virou costume cortar apenas os frutos dos malefícios para enganar e tapear a população.

Fonte: Giovana Pagnano/Observatório Social de Marília

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