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Ousar lutar, ousar vencer

26 de dezembro de 2011 - 14:15
Não existem dúvidas de que as organizações sociais são agentes de mu­danças da comunidade. Reunindo pessoas em tor­no de uma causa – fiscali­zação dos gastos públicos, erradicação da fome, da pobreza, da violência ur­bana ou doméstica, etc -, têm o grande desafio de fazer com que a comuni­dade passe a se interessar por elas. Não é nada fá­cil estimular as pessoas a construir um senso crítico que as faça dizer “não”.
 
Mobilização social não é apenas promover passea­tas, manifestações públicas – é muito mais, é a capa­cidade de provocar e cons­truir mudanças. É a capa­cidade de “contaminar” as pessoas com um propósito. É algo como atribuir a elas as suas escolhas, atribuir a elas a possibilidade de transformação da socieda­de em que vivem. Fazê-las participar, efetivamente, da democracia. E demo­cracia, como se sabe, não se faz sem o povo.
 
É preciso superar o ar­quétipo construído em função do interesse de uma minoria, de que falar “não”, indignar-se e adotar uma atitude de insatisfa­ção, é maléfico. Ao con­trário, é direito de todos e a lei ampara a iniciativa. Não é fácil porque envolve a transformação de uma mentalidade. Convocar as pessoas a um sentimento ético, provocar discursos e instigá-las a agir no senti­do de alcançar um propó­sito comum, no sentido de alcançar mudanças, aceitar a responsabilidade pelas mudanças.
 
Somente com a partici­pação dos diversos setores da sociedade, compromis­sados com uma capacida­de de pensar e agir cole­tivamente, com respeito às diferenças, é que se po­derá avançar na obtenção de mudanças que levem a uma ordem social mais democrática e participa­tiva. Em suma, mobilizar socialmente as pessoas é formar cidadãos. E essa mobilização não pode ser temporária, oportunista. Ela deve ser construída a partir de um projeto que anime as pessoas a virem, a compartilharem, a sen­tirem-se necessárias nas transformações que que­rem, mas que não se vêem capacitadas a promover.
 
Construir uma socieda­de mais justa não é o traba­lho de um único. Essa em­preitada exige de todos nós um compromisso positivo de participação coletiva. E a idéia de que isso é pos­sível vem das experiências de outros povos, principal­mente através de aconteci­mentos contemporâneos.
 
O papel de estimular o cidadão a participar de um projeto de mudança é também o papel das orga­nizações sociais. Somente assim a máxima poderá ter foros de viabilidade: ousar lutar, ousar vencer.
 
Autor: Alberto Almeida Silva, advogado
 
 

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