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Parlamentares de vida fácil

04 de setembro de 2014 - 10:00

Costuma-se dizer (acertadamente) que quem não trabalha é vagabundo. Um tanto pior para os parlamentares do Congresso Nacional, que além de não trabalharem, ainda são os “operários” mais bem pagos do País. Isso sem falar que eles mesmos lhes dão aumentos e outras mordomias que chegam a ultrapassar R$ 50 mil por mês e ainda têm o 13º. Já os pobres trabalhadores brasileiros que, em sua maioria, ganha salário mínimo de quase R$ 800,00 tem o 13º salário, mas trabalham 11 meses no ano! Até o ano passado os parlamentares ainda tinham, absurdamente, 14º e 15º salários! Estamos em época muito apropriada para fazer a avaliação desses ilustres parlamentares que estão em campanha eleitoral, buscando os votos dos eleitores para continuarem na mordomia palaciana. É ridículo ouvir essa gente no rádio e na televisão contando vantagens e falando sobre “grandes conquistas” para a população e que são nossos representantes no Congresso Nacional. Hipócritas, mentirosos! Vamos lembrar ao eleitor que deputados federais e senadores não vão trabalhar sequer quatro meses neste ano. Você sabe quanto ganha um deputado federal? Você sabia que eles, assim como os senadores, têm direito à “gorda” cota parlamentar mensal? O salário máximo que um deputado federal pode ganhar por mês é de R$ 26,7 mil. Mas eles ainda têm direito a uma cota parlamentar (“cotão”), que é uma ajuda de custo para despesas como transporte, telefonia e alimentação. O valor varia de acordo com o Estado que o deputado representa. Para quem é de Roraima, por exemplo, a cota parlamentar chega a R$ 38,6 mil por mês, de São Paulo R$ 31,3. Ou seja, em média, um parlamentar ganha mais de R$ 50 mil por mês. Mas eles ainda têm R$ 78 mil por mês como verba de gabinete para até 25 funcionários. Ou seja, um parlamentar recebe por mês acima de R$ 140 mil, tudo devidamente pago com o dinheiro do contribuinte, que é extorquido pela alta carga tributária imposta pelo governo brasileiro. Só que mesmo com toda essa mordomia há centenas de projetos e medidas provisórias engavetados, muitos de interesse da população e que não são votados simplesmente porque eles “não têm tempo”. Aliás, o contribuinte acaba de ser prejudicado, mais uma vez, pelo folgado Congresso Nacional, que não votou a Medida Provisória do governo que reajusta a tabela do Imposto de Renda (IR), prometido pela presidente Dilma Rousseff para o ano que vem. Vai depender agora da edição de uma nova medida provisória ou do envio ao Congresso de um projeto de lei com pedido de urgência constitucional para ser apreciado pela Câmara e pelo Senado antes do final deste ano. Isso porque perdeu a validade no dia 29 de agosto. Sem ser votada pelo Congresso, a MP 644/14, previa reajuste de 4,5% na tabela do IR a partir de janeiro de 2015 e foi apresentada em meio pelo governo. O reajuste da tabela do Imposto de Renda foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff por ocasião do Dia do Trabalhador e, posteriormente, foi encaminhado pelo governo ao Congresso a MP reajustando a tabela do IR. Pela MP, a faixa de isenção do IR passaria de R$ 1.787,77 para R$ 1.868,22. A alíquota de 7,5% seria paga por trabalhadores que ganham de R$ 1.868,23 a R$ 2.799,86; a de 15%, pelos que recebem entre R$ 2.799,87 e R$ 3.733,19; a de 22% por trabalhadores que ganham de R$ 3.733,19 a 4.664,68 e a alíquota de 27,5% seria paga pelos que ganham acima de R$ 4.664,68. A MP não chegou a ser apreciada e votada pela Câmara dos Deputados em função das convenções partidárias, dos jogos da Copa do Mundo, do recesso branco no Parlamento nos meses de agosto e setembro em função do período pré-eleitoral e também pela falta de entendimento para a apreciação da proposição. Ou seja, os parlamentares se consideram “operários privilegiados”, que trabalham quando bem entendem e ainda zombam da população com altos salários e mais dois extras: 13º e 14º salários. Não é uma vergonha? Cabe aos eleitores barrar essa gente nas urnas, pois renovar é preciso!

Editorial do Jornal da Manhã – 04/09/2014

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