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Polícia Federal prende Nelson Granciéri

09 de dezembro de 2011 - 12:25

O ex-secretário da Fazenda e Chefe de Gabinete de Município, Nelson Granciéri, foi preso em sua casa e interrogado na sede da Polícia Federal de Marília na sexta-feira (9) em razão de desdobramentos da Operação Dízimo.

Granciéri é acusado de comandar um esquema que pagava mais de R$ 500 mil por mês a aliados políticos, servidores municipais e empresários.

“A contabilidade apreendida aponta pagamentos mensais de grande monta, na casa dos R$ 500 mil, a diversas pessoas, partidos e aliados políticos e até funcionários públicos. Há até descrição dos centavos pagos”, disse o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público), Neander Sanches.

Ele falou também que os registros são referentes apenas aos meses de julho, agosto, setembro e outubro deste ano.

Enquadrado nos crimes de coação e concussão de testemunha e falso testemunho, Nelsinho não esboçou reação no momento da prisão, feita por volta das 12h em sua casa, localizada na zona leste da cidade.

Depois de seguir para a delegacia da Polícia Federal ele foi ouvido por cerca de uma hora. Logo após passou por exame de corpo de delito e seguiu para a cadeia de Garça por volta das 16h.

Entenda o caso

Em 24 de novembro, o Gaeco e a Polícia Federal realizaram em Marília a “Operação Dízimo”, que teve como Granciéri, afastado por ordem judicial de suas funções desde outubro deste ano devido a acusações de cobrança de propina de fornecedores da Prefeitura.

Em entrevista coletiva, o promotor do Gaeco de Bauru, Neander Sanches, explicou que Nelsinho é suspeito de cometer os crimes de concussão (extorsão cometida por funcionário público), coação de testemunhas e lavagem de dinheiro.

A operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão na cidade e um em Bauru.

Foram alvo das buscas a Prefeitura Municipal, o Jornal Atualidade e a gráfica que o imprime (localizada em Bauru), a clínica de estética Serena, de propriedade da mulher de Granciéri, três empresas de marketing e as residências de Nelsinho, Maurício Machado, o ‘Palhinha’ (dono do Jornal Atualidades), e André Belizário, assessor de Nelsinho supostamente envolvido no esquema.

A partir dos documentos apreendidos nessa ação os promotores descobriram um esquema de “mensalão” pago por Nelsinho e seu grupo político a funcionários públicos, aliados e empresários da cidade.

A lista contendo beneficiários do esquema mensal gerenciado por Nelsinho chega a dezenas de nomes e vinha aumentando constantemente, informaram os promotores do Gaeco.

Documentos com a contabilidade dos pagamentos foram apreendidos na casa do ex-chefe de Gabinete, em mídias recolhidas durante a operação.

Segundo os promotores do Gaeco, Nelson confirmou a contabilidade do “mensalão” e afirmou que os pagamentos eram uma forma de manter o poder na Prefeitura de Marília.

Ele afirmou ainda que o grupo político ao qual ele pertencia realizava os pagamentos e ele gerenciava o esquema.

Nelson afirmou ainda que o prefeito Mário Bulgareli (PDT) sabia e estava junto nesse gerenciamento.

“Existem indicativos de que esses pagamentos vinham ocorrendo há vários meses. A alegação é de que o dinheiro era proveniente de empréstimos”, informa o promotor Neander Sanches.

Como a prisão é preventiva, não há data para que Nelsinho seja liberado, exceto se o pedido de soltura feito pela defesa do ex-chefe de gabinete for aceito pela Justiça.

Além de Nelsinho, outras quatro pessoas, entre elas um funcionário público, são investigados nesse caso em específico. As investigações sobre o pagamento de propina continuam correndo normalmente na Justiça.

O advogado de defesa, Carlos Mattos, informou que Nelson estava tranquilo e que iria prestar todos os esclarecimentos. A defesa deve solicitar o habeas corpus.

A Procuradoria Geral do Município espera ter acesso ao teor da denúncia efetuada pelo Ministério Público para depois se manifestar.

(com informações dos jornais Diário de Marília e Bom Dia)

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