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Saúde Pública: DRS Marília perde metade dos leitos UTI Covid desde dezembro

27 de janeiro de 2022 - 09:18

Desde o fim do ano passado, o Departamento Regional de Saúde de Marília (DRS-9), que engloba 62 municípios com mais de 1,2 milhão de habitantes, perdeu aproximadamente metade dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) reservados para pacientes com Covid-19 ou suspeita da doença.

De acordo com o levantamento feito pelo site Marília Notícia, no dia 31 de dezembro de 2021, a região dispunha de 156 leitos UTI Covid, segundo microdados divulgados oficialmente pelo Governo do Estado de São Paulo. Nesta terça-feira (25) eram 74 vagas do tipo – uma redução de 52%.

A ocupação destas vagas no último dia do ano passado era de aproximadamente 10%. Agora, os leitos em uso totalizam quase 70% – mesmo patamar verificado em julho de 2021 e o suficiente para gerar filas de espera.

Ontem, 11 pacientes esperavam vaga em uma UTI Covid na Regional de Saúde de Marília. Levando em conta a espera por leitos clínicos, são 42 pessoas que aguardavam a chamada regulação – que também pode ser entendida como abertura de vagas.

Somando os leitos de tratamento intensivo e de enfermaria reservados para Covid, o DRS Marília ocupa o quarto lugar no ranking de maiores filas entre as regionais do interior de São Paulo, atrás das Regionais de São José do Rio Preto (69 leitos); Taubaté (56 leitos) e Bauru (48 leitos).

EXPLICAÇÃO

Fontes ligadas ao DRS, ouvidas pela reportagem do Marília Notícia, explicam que a redução de leitos UTI Covid na regional está relacionada à portaria do Ministério da Saúde número 4.226, de 31 de dezembro de 2021.

A determinação, na prática, implica na suspensão de pagamentos do Governo Federal por leitos UTI reservados para pacientes com Covid-19 que estavam ociosos – ou seja, sem uso, mas prontos para receber pacientes a qualquer momento.

Após a portaria do Ministério da Saúde, que passou a pagar apenas por leitos em uso, grande parte dos hospitais pactuados acabou fechando vagas desde então.

“A taxa de ocupação voltou a subir e estes hospitais não reabriram esses leitos novamente”, explica a fonte ouvida pelo MN.

MUNICÍPIO

Segundo informações da Prefeitura de Marília, os hospitais existentes no município ofereciam – nos primeiros dias deste ano – 51 leitos UTI pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 24 pela rede particular. Nos casos das vagas clínicas eram, respectivamente, 40 e 22.

Dados desta terça-feira comprovam a redução em nível local: eram oferecidos 40 leitos de UTI Covid SUS na cidade e 12 particulares. No caso dos clínicos, eram 38 no SUS e 19 na rede privada – uma redução menos intensa do que na terapia intensiva.

A ocupação das vagas no município ficou acima de 80% em praticamente todos os casos – com exceção das UTIs particulares. No caso das UTIs do SUS para Covid, Marília bateu 92% de ocupação. Os leitos clínicos particulares lotaram em 100%.

OUTRO LADO

Em nota, sobre a redução dos leitos, a Secretaria Estadual informa que o Ministério da Saúde é responsável pela autorização/habilitação de leitos de UTI. Porém, o Estado e municípios também seguem custeando leitos do tipo por conta própria, garantindo a assistência à população.

“Com estes esforços, o número de UTIs no SUS de SP praticamente triplicou na pandemia, saltando de 3,5 mil para mais de dez mil. Foram ativados 111 leitos do tipo somente na região de Marília neste período. A região também conta com 105 leitos clínicos exclusivos para Covid-19”, diz.

O Estado aponta que, além disso, o Governo de São Paulo anunciou a abertura de 700 leitos para tratamento da doença. Todos os detalhes e informações estão disponíveis em: https://www.youtube.com/watch?v=L7nyiaPA4E4 e https://www.saopaulo.sp.gov.br/noticias-coronavirus/governo-de-sp-anuncia-700-novos-leitos-para-apoiar-municipios-no-combate-a-pandemia/.

“Preventivamente, a Secretaria de Estado da Saúde desacelerou em janeiro qualquer redirecionamento dos leitos exclusivos para a assistência do coronavírus e, se necessário, ampliará a assistência exclusiva. Toda e qualquer medida adotada no Estado para enfrentamento da pandemia é precedida por análises técnicas junto ao Comitê Científico”, pontua no documento.

Os serviços estaduais do SUS seguem dedicados a garantir assistência adequada e oportuna a todos. A região de Marília conta com algumas unidades de referência para casos da Covid-19, como o Hospital das Clínicas de Marília, Hospital Universitário, Hospital São José de Herculândia, Hospital Beneficente de Maracaí, Hospital São Paulo de Rinópolis e as Santas Casas de Marília, Tupã, Adamantina, Chavantes, Florida, Paulista, Ipaussu, Lucélia, Osvaldo Cruz, Palmital, Ourinhos, Paraguaçu Paulista, Parapuã, Salto Grande, Santa Cruz do Rio Pardo e Hospital Jesus Maria José.

“Vale ressaltar que a ativação de novos leitos não é prerrogativa exclusiva do Estado, mas também da União e das Prefeituras”, conclui.

Do ponto de vista da economia de dinheiro público é compreensível e esperado pela sociedade que os governos (Federal, Estadual Municipal), não paguem por leitos ociosos, no entanto, quando há aumento da demanda o que se espera também, é a reativação dos leitos e o emprego dos recursos públicos onde a população mais precisa naquele momento.

*Fonte: Marília Notícia.

**Imagem meramente ilustrativa.

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