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Tabula Rasa

23 de março de 2012 - 10:59
*Vinicius Canaes
Em um tempo onde a tolerância com a corrupção é menor e a sociedade cobra ações eficazes para seu controle, o combate em particular e a luta pela construção de uma sociedade justa e ética dependem de uma batalha cultural,ou seja, uma mudança nas virtudes coletivas. Todavia, quando falamos emcorrupção nos remetemos apenas à política, só não percebemos que nossasociedade é incubadora natural deste problema. A palavra política vem dogrego politika, vinda de pólis (cidade), formada por cidadãos, do grego politikos,logo, fazemos parte deste cenário.
Na esfera social, uma de suas causas é a inversão de valores que ocorrem de várias formas, entre as quais, o jeitinhobrasileiro. Neste contexto aquele que burla o sistema é considerado herói, é o que podemos chamar de corrupção social: furar a fila ou fingir ser gestante para ser atendido mais rápido, ter algum amigo ou conhecido que facilite algo, sem contar o velho jeitinho de conseguir as coisas por baixo do pano, ou mesmo aquela conversa ao pé do ouvido com o guarda para que ele não aplique uma multa.
O princípio da isonomia mostra nossa igualdade perante a lei, o que moralmente não possuímos. Maiores investimentos na educação e cultura seriam de fato premissas significativas dentro desse processo, este combate é um instrumento eficaz para fazer o país crescer e ceifar os males que a ela estão ligados. Para termos uma idéia da amplitude do problema, ele mais antigo do que se pensa, na bíblia, o livro de Miquéias relata o problema: 
As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal. 
Um simples presente pode ser um passo para a corrupção, algo tão fútil, que com o passar do tempo se torna imoral e costumeiro. Adam Smith um dos grandes pensadores da história, em sua obra A riqueza das Nações cita o problema moral da sociedade: A fome é limitada em todos os seres humanos pela pequena capacidade de seu estômago, mas o desejo de ornamentos da moradia, do vestuário, da carruagem e do mobiliário parecem não ter nenhum limite ou fronteira delimitada. 
De certo modo, a corrupção social ou o jeitinho, são tratados com naturalidade, uma pesquisa realizada pela ONG Transparência Capixaba revela os seguintes dados: Dois terços da população já usaram o jeitinho para conseguir ou resolver algo, 57% dos brasileiros acham que é apenas um jeitinho quando alguém recebe um presentinho por ter facilitado ou deixado de fazer algo, 47% afirmam que é só jeitinho passar uma conversa no guarda para que ele não aplique uma multa. 
É comum associar a corrupção ao poder e a elite, entretanto não existe diferença entre corrupção e jeitinho, desviar um ou um milhão não é se corromper a esmo, mas sim pela falta de princípios. Se não há ética nas pequenas coisas o que se espera dos que detêm o poder, se nossa sociedade detesta a corrupção, não deveria se corromper. O ser humano desenvolve-se moralmente e escreve sua história durante a vida através do conhecimento, evolução e maturidade, de fato, o que se pode afirmar é somos uma eterna tabula rasa. 
*Vinicius Canaes Bacharel em Administração pela Instituição Toledo de Ensino. Pesquisador na Área de Ciências Sociais. viniciuscanaes@ig.com.br
 

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