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"Vamos ter a Copa envergonhada", afirma Cristovam

21 de junho de 2013 - 09:47

“Que situação: não quero Copa, eu quero educação”. Esse é um dos gritos mais entoados pelos milhares de manifestantes que cobrem as ruas do país diante da exorbitância dos gastos do governo com a Copa do Mundo. A soma está em R$ 28 bilhões e deve aumentar, enquanto persiste a falta de qualidade na educação brasileira, que ocupa o penúltimo lugar em ranking global, atrás de países como México, Colômbia e Argentina.

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), sem dúvida alguma, as manifestações pacíficas dos últimos dias são a prova de que a população acordou. “Quando, há dois anos, houve greve de professores em Brasília sugeri que parassem as aulas e fossem para a frente do estádio, mas na época não tínhamos a dimensão de quanto estávamos sendo roubados. Eu acho que finalmente nós abrimos os olhos para o que está acontecendo. As manifestações em frente aos estádios mostram isso”, explica.

O senador, defensor de mais investimentos em educação, afirma, no entanto, que os protestos, pelo menos em relação à Copa do Mundo, não vão conseguir mudar muita coisa. “Demoramos muito para acordar para esse ponto. Mas se os protestos não vão impedir o megaevento poderão torná-lo a “Copa envergonhada”, com estádios sitiados pela polícia, entornos repletos de manifestantes mostrando a real situação da população brasileira, sem educação, sem saúde, sem infraestrutura. Essa Copa vai ficar marcada na história da Fifa”, declara.

Segundo Cristovam, há oito anos a população do Brasil se dedica a construção de estádios para a realização da Copa, mas poucos fizeram as contas do que significa esse custo. “No Distrito Federal, por exemplo, a obra do Estádio Mané Garrincha custou R$ 800,00 para cada um dos brasilienses. Considerando apenas os adultos, o custo subiria para cerca de R$ 3 mil por pessoa”, explica.

O parlamentar ressalta ainda que com os recursos gastos com o estádio seria possível financiar a formação de 6.800 engenheiros de excelência, desde a primeira série do ensino fundamental em superescolas de qualidade internacional, ao custo anual de R$ 9 mil por aluno ao ano, pagando R$ 9.500 por mês para cada professor, até o final do curso de Engenharia, em cursos universitários de excelência iguais aos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

“Este número seria maior do que a soma de todos os engenheiros já formados no ITA nos seus 64 anos de funcionamento. Além disso, a formação seria pública, igual para os filhos dos mais pobres e dos mais ricos que tenham vocação e persistência”, expõe.

Segundo Cristovam, os governantes podem argumentar que as arenas irão permitir atividades esportivas e culturais, mas isto já seria possível com pequenas melhorias nos estádios anteriores. “O Brasil tem muitos problemas, mas um dos mais graves é não fazer contas. Eu lamento que tenhamos demorado tanto para despertar para um assunto que parecia obvio. Copa é para se ganhar em campo, não para construir campo”, conclui.

Gastos de R$ 28 bilhões

Ao todo, o orçamento da Copa do Mundo de 2014 já está estimado em R$ 28 bilhões entre estádio, obras de mobilidade urbana, investimentos em aeroportos e segurança pública. De acordo com Cristovam, a idealização desses eventos foi decidida sem a consulta devida.

“Qualquer gasto público passa pelo orçamento, passa pelo Congresso Nacional, para que seja analisado e debatido corretamente. Em 2007, o presidente Lula decidiu gastar R$ 28 bilhões com a Copa, sem consultar ninguém, inclusive a população”, ressalta.

O senador levanta ainda outra questão: “se o dinheiro é nosso para que precisamos da Copa do Mundo para realizar obras que são essenciais?”. Segundo Cristovam, os recursos utilizados para as obras que deixariam legado não são provenientes da Fifa.

Fonte: Contas Abertas

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