TCE contrariou parecer ao aprovar contas do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo

De acordo com matéria publicada hoje no site do jornal Folha de São Paulo, o TCESP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) contrariou pareceres de sua área técnica e alertas do Ministério Público que apontaram irregularidades em licitações que levaram à abertura de ação de improbidade administrativa contra o presidente reeleito ontem da ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo), Barros Munhoz.

Segundo a publicação, apesar de uma análise técnica feita pelo TCE considerar irregulares as licitações feitas por Barros Munhoz em sua gestão no município de Itapira, o tribunal aprovou as contas da prefeitura e contratos firmados com a empresa Conservias, aberta em nome de laranjas.

A empresa é pivô da denúncia oferecida pelo Ministério Público à Justiça, na qual Barros Munhoz é acusado de participar do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura quando era prefeito do município.

Segundo o Ministério Público, as licitações envolvendo a Conservias tiveram concorrência simulada.

Barros Munhoz alegou que a empresa cumpriu as exigências formais para participar das licitações e os serviços nelas previstos foram efetivamente realizados.

Técnicos da unidade de Campinas do TCE foram chamados para analisar os contratos após ofício da Promotoria e concluíram que os pagamentos à empresa foram irregulares e que cabia devolução do dinheiro aos cofres públicos. Dentre os problemas apontados estão assinaturas falsificadas, pagamentos de serviços a pessoas não contratadas, valores de cheques não correspondentes aos das notas fiscais e nenhum recibo assinado pelo representante legal da empresa.

O parecer foi apresentado em março de 2006, sete meses após o TCE ter julgado regulares as contas de Munhoz. No relatório final da aprovação das contas, o conselheiro Eduardo Bittencourt disse não ter visto “atos lesivos” nas licitações, mas pediu exame mais aprofundado. O tribunal, então, solicitou a Munhoz que apresentasse defesa específica sobre os contratos.

Os advogados do deputado negam irregularidades. Quanto às assinaturas supostamente falsificadas, dizem que o diretor de compras da prefeitura lida com milhares de processos e que, por isso, não teria como identificar uma possível ilegalidade.
Sobre os pagamentos a terceiros, alegam que pessoas que receberam pela Conservias tinham procuração.

Em fevereiro de 2008, o conselheiro Edgard Camargo, em voto sucinto, não fez menção às irregularidades apontadas pelos técnicos e pela Promotoria, e deu razão a Munhoz por ter “preenchido” as exigências legais.

A Folha procurou o TCE de São Paulo, que respondeu que os conselheiros não comentam decisões proferidas.

Em seu discurso após ser reconduzido ao cargo, Barros Munhoz disse que a denúncia ainda não foi aceita pela Justiça e que não há uma condenação definitiva e afirmou que as acusações são injúrias.

(VM, com informação do site do jornal Folha de São Paulo)